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O acidente com o vôo 1907, em setembro, foi o maior desastre aéreo da nossa história. Deixou 154 mortos. Centenas de famílias terão um Natal mais triste.
Mas é preciso olhar para a frente. Evitar que isso se repita, melhorando processos e equipamentos.
Segundo a Folha, a FAB finalmente reconheceu um "ponto cego" nos radares do CINDACTA. Esse assunto era um rumor há anos e foi preciso a vida de 154 pessoas para que as autoridades aceitassem o fato.
Não ficarei discutindo se alguém culpa, se poderia ter sido evitado... o ponto é que, agora, temos uma boa chance de investir em algo crucial para nossa indústria: Radares de Alta Sensibilidade. A Finep poderia abrir um edital e incentivar a pesquisa e produção desses equipamentos em solo nacional. Ganharíamos duas vezes: mais segurança no tráfego aéreo e conhecimento em áreas sensíveis ( que, em último caso, nos tornam mais competitivos ).
Muita gente torce o nariz para a pesquisa em Tecnologia de Defesa. Talvez porque ela seja mais usada no ataque... no entanto, é com a tecnologia de ponta desenvolvida para os militares que o setor civil mais se beneficia. Nailon, freios ABS, GPS, DSPs, internet... quase tudo na tecnologia atual é fruto das pesquisas militares. E o Brasil tem um défict enorme na área.
Precisamos nos recuperar e rápido. Por que não começar agora?
Pesquisa em tecnologia militar realmente não é um problema, o problema é o uso estúpido que algumas pessoas dão a ela.
O celular, usado por milhões de pessoas, e que representa a verdadeira inclusão digital, surgiu como tecnologia para controle remoto de torpedos.
Mas motores a jato, por exemplo, foram criados pelos alemães, durante o governo nazista. E detalhe: eles usavam álcool, feito de batatas. Anos depois temos aviões civis a jato e o Brasil criando um motor de combustão interna usando álcool.
Concordo totalmente com pesquisas em área militar. Por exemplo, a construção de um submarino nuclear não é para atacar a Argentina, como volta e meia um zé mané afirma.
É desenvolver a tecnologia de propulsores, sistemas de suporte à vida, softwares, circuitos, etc. Eventualmente, a tecnologia torna-se útil para uso civil, como um purificador de ar melhor para ser usado em hospitais.
Uma das minhas frustrações, fora a Luciana Vendramini (mas essa eu ainda resolvo) é não ter mercado no Brasil para a área de tecnologia militar.
Pesquisa de ponta, não reinventar a roda, criando um míssil hoje que equivale a relíquias de 40 anos atrás.
Um dos (raros) casos é a Avibrás, que sozinha sem incentivos e subsídios criou um míssil de cruzeiro com alcance de +600Km, colocando o Brasil em um clube quase tão exclusivo quanto o nuclear.
Os problemas e desafios, em termos de software são lindos, só de pensar.
O que aproveitar?
A demanda que vai procurar fotos do acidente na internet;
Amigos, o Brasil assinou acordos de cooperação onde em troca de empréstimos, se compromete, entre outras coisas, a não avançar em pesquisa militar. Vide: Diálogo Interamericano.
Sim, temos sempre que aprender com as mancadas. Acho que, no momento, devería-mos substituir os radares por outros mais sensíveis e eficientes. E também dar um generoso aumento no número de controladores de vôo, permitir funcionários civis, etc.