Por causa de DRM, desisti de comprar qualquer tipo de dispositivo de leitura de livros, como o Sony Reader, iRex iLiad ou Jinke V2 eBook Reader. Pagar 500 dólares ou mais num aparelho e depois comprar os livros, para serem monitorados como o um Grande Irmão sobre o que eu faço com o livro não é minha idéia de biblioteca.

Ora bolas, se eu compro um livro, em papel, que dura uns 2000 anos se for bem conservado e posso emprestar para n amigos, dar de presente, doar para uma biblioteca, porque raios eles querem limitar o "passar para frente" das cópias? Não seria complicado ter um sistema que ao detectar um arquivo com DRM, ele só possa ser movido de um aparelho para o outro, nunca copiado. Pronto, resolvido o problema. Mas não, a indústria prefere controlar todos os passos de como o documento eletrônico é usado e por isso, vão fracassar miseravelmente, de novo.Foi como eu disse com o Leo em uma conversa que tivemos outro dia: enquanto um leitor de ebooks da vida não der a mesma liberdade de fazer com o livro o que o usuário quiser, ele não pega. E digo mais, com 500 dólares, compra-se pelo menos uns 30 bons livros novos. E o tal argumento de que eu posso carregar 80 livros é furada. Ao contrário de uma música que não passa de 5 minutos ou um filme que não passa de 2 horas, um livro pode levar dias e até semanas para ser concluído. E dificilmente uma pessoa fica pulando de livro em livro, procurando o que se quer ler. Livros exigem imaginação, e uma certa dose de concentração e raciocínio para imersão total no texto.

Nesse caso, o papel ainda continuará ganhando até que ebooks virem um serviço de assinatura semelhante à telefonia celular: paga-se uma quantia módica pelo aparelho que virá com 5 livros de livre escolha e depois uma assinatura mensal que permitiria descarregar mais um certo número de livros por mês ou melhor ainda, páginas. Que sejam mil páginas por mês, de qualquer obra, de qualquer autor. Pronto, estaria formado um mercado. Agora, dizer que só é possível passar um livro 6 vezes é garrotear o mercado antes mesmo dele existir.

Os fabricantes já se deram mal uma vez, ao serem draconianos no controle. Afrouxaram um pouco, mas ainda está longe de ser algo atraente para a vasta maioria dos consumidores. Pense assim: você acaba de ganhar um bônus de 600 dólares em uma loja de departamentos e pode escolher: 1 PS3 + 2 títulos OU 1 Sony Reader + 4 livros? Qual deles você escolheria?

O formato atual não precisa de energia, se cair no chão, o máximo que acontece é amassar um pouco, pode-se fazer com ele o que quiser, até usar como papel higiênico numa emergência. Ou dar de presente, doar para uma biblioteca, emprestar para alguém e por aí vai. E não custa nem 1/10 de um iRex (€ 650,00) É quase imbatível e a indústria parece não entender que é preciso oferecer vantagens para adoção de um gadget. O celular apresentou várias como mobilidade na comunicação de voz e dados, o tempo todo, mesmo sendo mais caro que o telefone convencional. Nesse caso, o benefício superou o custo e agora existem mais celulares que linhas convencionais.

Leitura só traz benefícios. É senso comum que quanto mais um povo lê, maior é a sua capacidade de criação, invenção e tolerância a diferenças, ao novo e inovador. DRM da forma como está sendo aplicada a livros é aprisionar o conhecimento de forma mesquinha. Não há outra forma de se colocar.

Como a propriedade intelectual precisa ser protegida e toda a cadeia de produção remunerada, vou continuar com o bom, e até o momento imbatível, livro impresso em papel.

Para Ler Mais:
- eBook Readers

Notícias relacionadas

Eug (não verificado(a))

"Como a propriedade intelectual precisa ser protegida e toda a cadeia de produção remunerada, vou continuar com o bom, e até o momento imbatível, livro impresso em papel."

Acho que todo mundo prefere a manuseabilidade do livro impresso, mas se o livro em papel custar muito caro e estiver disponível em PDF para download nas redes p2p da vida, beleza tb!

O raciocínio é simples: Se vc quer vender, ofereça algo que tenha valor agregado e tenha um preço justo.

Idem para CDs de música. Não adianta querer que o sujeito pague 30, 40, sei lá, reais num CD se a cópia não licenciada do camelô custa 5, 10, sei lá... Ou se baixa de graça na P2P...

Vc só consegue vender se tiver alguém querendo comprar.
E pra isso vc tem que oferecer vantagens, senão a concorrência leva o teu cliente...

É simples assim!

antonio (não verificado(a))

"...caso, o benefíc superou..."
Só mostando o erro (benefícios)...

Excelente Artigo

Gabriel (não verificado(a))

Nada contra, mas infelizmente temos que repeitar o enriquecimento das editoras. Essa limitação de transferência do livro é realmente imbecil, lembra o Sonic Stage da Sony, programa para gravar músicas em MDs (Mini Discs), onde pode-se transferir a mesma música apenas 3 vezes. Se quiser apagar o MD e gravar novamente a música, lá vai-se.
Realmente, a indústria não entende. Vão fracassar DE NOVO!

Gabriel (não verificado(a))

Quanto ao problema do DRM, eu acho bem provavel alguem lançar um firmware hack resolvendo isso.. A ideia dos livros eletronicos é bem interessante, estou esperando sair o modelo da Sony para adquiri-lo.

Ivan (não verificado(a))

É idiotice querer limitar o número de vezes para passar um livro!
Enquanto essas empresas não entenderem o quanto estão sendo idiotas não vão vender novos produtos!
Essa mesma semana eu acabei por imprimir um livro de programação (calma pessoal, o livro é GFDL ;]) pq ler 700 páginas no PC não dá.
Um aparelho que te permitisse ler documentos PDF (principalmente) em qlqr lugar a qualquer momento é interessante, desde que não ofereça menor numero de vantagens que o livro impresso... Seria como retroceder! Ninguém tá afim!
Fico esperando criarem uma alternativa diria no mínimo mais justa... =)

cardoso (não verificado(a))

Ivan, o leitor da Sony permite PDF E RSS, com direito a leitor de cartão SD. Eu estou doido atrás do bicho, a idéia de 4 mil páginas sem recarregar é excelente. (o eInk não consome energia entre as mudanças). Quanto ao DRM, azar, é como o iPod, basta não comprar nada na loja deles.

Parabéns pelo artigo!
Há algum tempo me interessei em comprar um e-book reader mas o preço me fez desistir (nem sabia das questões de DRM).

Uma aternativa interessante seria o uso do laptop de US$ 100 para ler livros.
Segundo Negroponte ele custará US$ 450 no ebay.
(http://br-linux.org/linux/negroponte-diz-que-vai-v...)

-Tresso

Olá

O problema é da industria mesmo, pois o autor ganha muito pouco por obra, cerca de 8%, o autor se beneficia mesmo é com a divulgação de suas ideias. Claro existem execções "best sellers". Os Livros eletrônicos podem funcionar mesmo com o autor distribuindo diretamente sua obra, sem passar por editoras.

Danskk's picture

Cada um tem o direito de ler livros onde bem entender, no laptop, num leitor qualquer, etc. O importante é cultivar o hábito de ler.
Mas na minha opinião, nada substitui um bom e sólido livro. O cheiro de papel novo, a magia num simples folhear de páginas é uma sensação inigualável.
Além do que, ler a trilogia do Senhor dos Anéis, destrinchar a "Biblia" de um aplicativo para programação ou qualquer outro livro "meio que... longo" é suicídio para qualquer traseiro, mesmo que esteja acomodado numa bela poltrona.
Só é uma pena, os livros em geral, estarem ainda muito fora do alcance do bolso da maioria da população brasileira.

Opções de exibição de comentários

Selecione seu modo de exibição dos comentários favorito e clique "Salvar opções" para ativar suas mudanças.



Design Wenetus