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A Microsoft deve ter entendido o recado: "We heard You" é a frase estampada na página dedicada ao novo navegador. Quando o primeiro beta público do Internet Explorer 7 surgiu, especialistas em softwares e tecnologias da empresa não deixaram de criticá-lo ferozmente.
Duvida?
Leia esse trecho de um artigo escrito em Agosto de 2005:
"My advice is simple: Boycott IE. It's a cancer on the Web that must be stopped. IE isn't secure and isn't standards-compliant, which makes it unworkable both for end users and Web content creators."
Tradução livre: Meu conselho é simples: boicote o IE. É um câncer para a Web e tem que ser detido. O IE não é seguro e não segue padrões, tornando-o impossível de trabalhar tanto para usuários finais quanto criadores de conteúdo para a Web.Pouco mais de 1 ano se passou, o IE7 está no seu beta 3 e agora discute-se se ele já atingiu uma maturidade de segurança, onde um usuário do Internet Explorer 6 já estaria melhor servido migrando para ele. O leitor mais atento reparou que não foi mencionado Firefox ou Opera. A mãe que usa o computador para ajudar a filha de 8 anos nos trabalhos de escola, nem sabe o que é um browser. Se não acredita, pergunte a uns 2 ou 3 vizinhos que possuem desktop em casa ou converse com alguém que trabalha com suporte.
O artigo mais recente de Paul Thurrott sobre o assunto, fala do Beta2, mas ainda é interessante pois foi a versão considerada a mais completa em design pela empresa. A resposta dos usuários foi forte e o Beta 3 sofreu alterações e ainda mais melhorias, correções de bugs, alterações de design.
Mas o artigo ainda menciona algo: a segurança parece ser algo pensado depois, como o User Account Protection do Windows Vista (que imita os sistemas *nix e 9 entre 10 usuários testando o Vista detestou e desabilitou).
O exemplo dado por ele é excelente. O que faz do Internet Explorer um queijo suiço em segurança uma armadura
de algodão-doce? Simples, ActiveX, a tecnologia concebida para integrar funcionalidades e chamadas do sistema operacional ao navegador, tão rica em funcionalidade, tão pobre em segurança, que tornou o IE6 o alvo predileto de quase todos os ataques web. Ao longo dos anos, aprendemos sobre Spyware, Tracking, Browser Hijacking, Phishing, ataques de Buffer Overflow e tantos outros, graças ao rombo, onde um javascript malicioso é capaz de travar uma máquina ou fazer chamadas diretas ao sistema operacional, usando ActiveX. Uma indústria surgiu em torno disso, o Ad-Aware e seus seguidores que o digam. E disso surgiu uma indústria de spywares que vendem... anti-spywares. Vou parar por aqui.
O IE7 ainda virá com ActiveX e todos os recursos que adoramos no Firefox e Opera. O problema é justamente esse: será que ele irá resistir ao escrutínio de especialistas de segurança, hackers e bandidos digitais? Por exemplo, a execução de ActiveX deve ser explícita para as páginas que o usuário irá liberar, assim como foi aumentada a facilidade para remover e desabilitar componentes ActiveX. Um melhoria há muito esperada.
Minha sincera opinião? Vivo muito bem sem ActiveX no Opera. Seria interessante se essa integração fosse totalmente opcional e viesse desabilitada como padrão. Mas isso não pode ocorrer por um simples motivo: compromisso com o legado e o mesmo ocorre com o gigantismo do Vista, assunto para outro post.
Ao contrário de concorrentes como a Apple, que pôde chutar o balde com o MacOS e migrar totalmente para um kernel Unix; depois criaram uma camada de compatibilidade. Por ser plataforma e ambiente fechados a migração ao longo dos anos foi forçada e todos seguiram. Mas a Apple é muito, muito menor que a Microsoft e possui pouca penetração em intranets e sistemas corporativos. Imagine uma empresa com 5 mil funcionários usando um recurso ActiveX do PowerPoint sendo subitamente desabilitado e parando de funcionar.
E os clientes dessa e outras empresas, que dependem da tecnologia? Não adianta responder: deveriam ter usado Open Source, blah, blah. Não é assim. Empresas gigantes querem seus sistemas funcionando e por várias vezes de forma muito específica, com regras de negócio particulares de cada uma. E pagam, muito bem, por isso. A IBM fatura bilhões de dólares usando uma mistura de softwares livres e proprietários, cobrando alto pelos serviços e expertise acumulado. Eles também atuam da mesma forma: não se joga legado fora, adapta-se. Ainda existe mais código rodando em COBOL do que todos os aplicativos Enterprise escritos em Java. A Petrobras migrou para o SAP em 2002, para o sistema de materiais. Usavam um outro feito em COBOL, que funcionava perfeitamente.
O IE7, no Windows Vista, irá rodar com permissão limitada abaixo de usuários comuns mesmo em contas administrativas. É uma das formas de evitar que código malicioso resolva ser mais aventureiro. Aí fica a pergunta: será que o IE7 irá mudar e corrigir as mazelas do IE6 ou está repetindo os mesmos erros, remediando falhas ao invés de conceber segurança? Você recomendaria o Beta 3 ou mesmo a versão final para alguém que considera Internet Explorer sinônimo de browser? Ou tenta apresentar algo novo?
Com certeza eu apresentaria um novo browser. Sou um grande entusiasta do Opera, e sei que ele tem muitas coisas para melhorar, o sistema de downloads de Extensões do Firefox, seria algo que eu ficaria muito feliz de ver no Opera.
Quanto ao IE, espero que ele melhore sim, pois vou ter de usá-lo quando os browsers "alternativos" falharem...
Erros da M$ e da Sony, copiar a concorrência na integra. A microsoft não só copio o conceito do Windows da Xerox, copiou também a cópia em menor qualidade. Sim, é isso que a M$ faz, uma cópia inferior da concorrência.
A concorrência gasta seu tempo criando e exercitando sua criatividade, quando a M$ acordar não será mais tão lendária. É uma pena que uma empresa com o poder dela se sujeite a este papel.
Eu acredito que o erro não seja apenas da microsoft.
Fiz até um post falando sobre isto em meu blog.
O usúario tem culpa também.
Com certeza apresento algo novo... Navegador é diferente de um OS, é simples de se acostumar... uma barra de endereços, uma janela e alguns botões... Não muda muita coisa (esteticamente, que é o que importa pros usuarios finais) entre os navegadores...