A revista Rolling Stone é uma das mais influentes da meio musical. Um excelente artigo escrito em duas partes explica como uma indústria que tem o consumo de seu produto aumentando absurdamente está perdendo dinheiro e falindo.

Baseada em um modelo de venda de pacotes de músicas, em mídias físicas, por praticamente um século, é uma indústria que não inovou seu modelo de negócios, tentou bloquear a tecnologia de todas as formas, matou o Napster, processou pais de crianças de 9 anos e vovós, foi atrás de indivíduos, provedores de internet, usou muito dinheiro e lobby pesado em cima de políticos. Enfim, utilizaram todo o músculo da sua máquina de fazer dinheiro para parar a tecnologia digital e novas formas de distribuição.

O resultado de praticamente 10 anos de luta? A vendas de CDs continuam caindo e apenas esse ano despencaram quase 17%. Nem mesmo os grandes sucessos são fonte de renda garantida mais. A tecnologia atropelou os gigantes da indústria como se fossem barquinhos de papel contra uma tsunami.

E a virada, segundo o artigo, foi justamente na época da morte do Napster. Para quem não tem idéia do que foi o Napster, uma rápida explicação: era um serviço, com servidores centrais, onde pessoas do mundo inteiro e de forma gratuita podiam compartilhar arquivos de música. Os arquivos ficavam na máquina dos usuários do sistema e o Napster apenas mantinha um mapeamento do que cada pessoa possuía. Era muito rápido, pois tudo era catalogado de forma central. A RIAA entrou pesado com processos e o Napster deixou órfãos quase 40 milhões de usuários. Detalhe: a RIAA não foi capaz de substituí-lo e houve um hiato de 2 anos até o lançamento do iTunes.

O resultado desse tempo foi a sofisticação dos programas e redes Peer-to-Peer, ou pessoa-a-pessoa, descentralizado, sem empresas ou servidores centrais. Essencialmente, não havia empresas para serem processadas e a RIAA resolveu atacar os próprios usuários do sistema, numa das piores jogadas de relações públicas da história. A antipatia conquistada da mídia e do mercado consumidor foi enorme, e baixar músicas, mesmo de forma ilegal, tornou-se um movimento de resistência. Quando o iTunes surgiu, o sucesso foi praticamente imediato, mas o controle de distribuição foi entregue a um terceiro, a Apple.

A RIAA defende-se dizendo que processar indivíduos é uma forma de informar que o download ilegal de músicas é ilegal. Parece não ter dado resultado, já que os números têm aumentado. E fica sempre a mesma pergunta no ar: porque esses caras estão falindo? Há interesse no produto, nos artistas e centenas de milhões de aparelhos capazes de reproduzir MP3 estão no mercado. A resposta é fácil: o modelo de negócios está errado.

O artigo ainda vai mais longe, dizendo como as empresas irão sobreviver, através de outros tipos de licenciamento, como filmes, seriados, games, shows, etc.

Anos atrás, praticamente qualquer pessoa ligeiramente mais informada sobre o Napster, sabia que não tinha volta. Mas não é culpa apenas das gravadoras. As grandes redes varejistas e artistas também ameaçavam as gravadoras, com multas sobre perda de lucratividade caso as pessoas conseguissem músicas a preços mais em conta do que em lojas. Resultado de quem remou contra a maré? Artistas que lutaram, ficaram mal vistos com os fãs e continuaram sendo copiados do mesmo jeito. Os varejistas de música? Estão fechando as portas em massa e o fato é fácil de explicar: quando foi a última vez que saímos de uma loja com um lançamento?

Fonte: Rolling Stone: The Record Industry's Decline

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PeaceMaker's picture

Alguém aí tem algum palpite sobre o "novo modelo de negócios" que poderia ser adotado para se contornar a situação?

Hehehe

Leonardo Faoro's picture

Passei ontem no centro aqui em Chicago e a Virgin Megastore esta fechando.

Ótimo post.

A industria fonográfica parou no tempo e passou a tomar atitudes que criam antipatia com seus potenciais consumidores.

É díficil também apostar num modelo que vende a música (mp3...) cheia de travas (DRM). O DRM encarece o produto e é facilmente burlado e ignorado, já que os "meio ilegais" dão liberdade para manipular o arquivo do jeito que quiser.

O preço é outro ponto: cobrar mto caro? Aí depende, melhor cobrar mais barato e vender em quantidade maior que cobrar caro e vender pouco.

Realmente faz muito tempo que não vou a uma loja procurar algum CD pra mim. Até parei de dar CD's de presente.
O preço alto (comparado com baixar a musica e a praticidade de ter o arquivo no pc) e o fato de comprar um CD por 2 ou 3 musicas e ter que levar mais uma duzia de "brinde" me afastou dessas lojas.
Os poucos CDs que ainda compro são aqueles de bandas que realmente gosto, e, ainda por cima, comprei pela internet!
Mas tb não compro CDs piratas na rua.

Também fico no aguardo pro novo modelo!!
hehe

brunobca's picture

PeaceMaker, certamente quem souber vai montar um negócio nesse modelo, e não divulga-lo aqui. huauhhuauhHUAHU

Internauta 2.0

A única solução é essas empresas lançarem portais próprios de vendas de músicas, como eles não teriam os "atravessadores" poderiam cobrar mais barato!!!

A apple é uma das que mais vende músicas com seu Itunes, mas ela tem que pagar uma porcentagem para as gravadoras!!!

AS gravadoras deveriam lançar seus próprios portais, e tentar parcerias para incentivar o uso dos seus sistemas!!

Claro que a apple tem a vantagem de ter o Ipod, mas cobrando mais barato, e criando formas de atrair o público para seu canal de vendas, seria a única forma de sobrevivência!!!

PeaceMaker's picture

Concordo com o gustavofernandes, a única maneira é facilitar para o usuário baixando os preços =P

E para incentivar a compra da mídia mesmo poderiam incluir, quem sabe, uns convites para o show do artista? Seria uma boa solução =D

Sò um adendo:
peer-to-peer = ponto-a-ponto
Tratam-se de nós de rede, e não pessoas ;-)

E voltando ao assunto, mesmo que vendessem as músicas que eu gosto por internet confesso que não compraria. Pra que pagar se eu posso continuar obtendo de graça??? "Vamos prestigiar o músico", poderiam dizer, mas quanto % que o músico recebe num CD e quanto fica pras gravadoras? Prefiro prestigiar meus artistas indo a shows...

Ricardo Bicalho's picture

Sim, mas é um artigo voltado a leigos. Minha avó não tem idéia do que seja um ponto de rede. ;-)

Acredito que em breve algum artista famosos, como um ganhador do American Idol vai fechar uma parceria de distribuição através do iTunes usando serviços de gravação e masterização de uma micro-gravadora.

O artista vai ficar com os shows e provavelmente boa parte da renda das faixas vendidas pelo iTunes.

Canedo's picture

O futuro é música de graça espalhada pela internet mesmo... Os artistas vivendo de fama e publicidade como os blogs e o google.

Imagina se o meio bit ficasse cobrando pras pessoas lerem o conteúdo do blog. Os leitores desistiriam daqui e procurariam outro blog. Afinal, tem vários outros que são de graça.

Essas gravadoras super poderosas tem que acabar mesmo. Quem assume são as micro gravadoras que fazem o mesmo trabalho de qualidade com a tecnologia disponível de hoje só que bem mais barato, e a distribuição fica por conta da internet. A renda? como dito acima, publicidade, participação nos shows, licenciamento para filmes e qualquer um que queira agregar o conteúdo musical no seu próprio.

Não vejo mistério na solução do problema. O único porém é a perda significativa nos ganhos das gravadoras e dos principais artistas, mas quem liga se um artista super star não vai mais poder comprar seu próprio parque de diversões como o Michael Jackson ou ter 3 mansões na California. Tem vários outros artistas por aí de qualidade, sem dinheiro e esperando pra serem descobertos.

Pirataria devia ser o que o Emerson Nogueira faz! Se bem que eu entendo que ele feve pagar os direitos pros autores originais da músicas :D

Os grandes artistas não perderiam, afinal a principal fonte de renda deles não é a venda de Cds e sim os shows!!!

enioluiz's picture

Enio Luiz Vedovello
Eu já vi artistas defendendo o download gratuito das músicas, geralmente a meia-voz, pois ficariam queimados com as gravadoras. Existe um site, o We7, que permite download legal, mediante a visualização de propagandas no site e ouvir uma rápida propaganda no início da música (que eles permitem que seja retirada após 7 dias do download), remunerando os artistas com parte da renda dos anúncios.
Poderia ser feito, também, um sistema híbrido, com algumas músicas de um a´lbum gratuitas e outras pagas, a preços aceitáveis.
Possibilidades, existem. É só questão de boa vontade para colocar em prática.

AS próprias grandes gravadoras poderiam continuar com a gravação e coma distribuição pela internet!!!

E para um artista fazer sucesso, pelo menos hoje e dia, só pela internet, sem marketing agressivo das gravadoras ele tem que ser muitooooo bom!! Alguns conseguem! Mas qdo a gravadora descobre um artista, ela amarra ele em um contrato, e investe um bom dinheiro na divulgação, preparação para o mercado desse artista!

A maioria desses que estão aí no mercado, são produtos das gravadoras e seus jabás!! Poucos sobreviveriam sem isso, e os que saíssem fora do esquema correria o risco de não aparecer na tv, nas rádios, e se destacar no meio de milhares de cantores!!!

Depender da publicidade online gratuita como blogs e etc, onde existe milhões de cantores ia ficar difícil, um cantor que fizesse um contrato com a gravadora, mesmo que fosse só para divulgação online, já sairia na frente!

O lobão mesmo, que vende suas músicas de forma alternativa, um cd com uma revista( não sei se vende pela internet) disse que gostaria de vender muito!

Se ele fosse artista de uma gravadora, ele iria aparecer no faustão, e afins, ir a grandes rádios com mais frequência, e consequentemente venderia muito mais!

Canedo's picture

Mas o que atrapalha os novos artistas é justamente esse marketing agressivo das gravadores. Se essas deixassem de existir a competição seria muito mais justa e com certeza muitas oportunidades surgiriam pra quem tem talento. Até mesmo pro lobão.

magno's picture

Quanto aos possíveis novos modelos de música, eu acho que seria o caminho certo alguns artistas se dedicarem a jogos, filmes, seriados, etc. como você falou.

Não sendo fã você não chega a dizer na lata quem canta tal música. Mas com certeza sabe de qual filme saiu um determinado tema só ouvindo umas 10 notas. Temas como os do filmes Rock, De volta para o Futuro, Star Wars, Indiana Jones, etc. estão praticamente gravados a fogo na nossa carne.

Fazer trilhas sonoras de jogos e seriados também garante o seu lugar ao sol. Ainda lembro do tema de Pretender e a música do final de Homeworld casava tão bem com a estória que era uma coisa de doido.

Sem falar nos temas de Chrono Trigger, cada um mais legal que o outro.

Storm's picture

No site do Pearl Jam você pode montar seu cd escolhendo músicas de vários shows(não sei se de todos que eles fazem).
Essa idéia é muito boa, pois sempre tem música "nova" ou com uma interpretação diferente, ou você pode montar um cd com as músicas do show da sua cidade... são várias alternativas. Aí você escolhe a capa e eles te mandam o cd... Isso pra mim é um grande modelo de vendas de música...

A última vez que foi em uma loja comprar um lançamento foi semana passada, comprei o cd Live do Tribuzy... as bandas que eu mais gosto eu sempre compro o CD quando posso. Mas 60% do meu HD está lotado de mp3 de diversas bandas.

Uma coisa realmente é fato, é muito mais tentador você ter as musicas que você quiser apenas digitando o nome delas e esperar que elas chegem ao seu PC do que ir na loja e paga R$ 30,00 (em média) por um original.

Hoje a principal fonte de renda dos artistas são os shows, quem mais se ferram com esta história são as gravadoras mesmo...

henrique's picture

Acabou a era do disco-de-ourou, agora é download-de-ouro.

CoRVo's picture

Excelente artigo, Ricardo!

Depois de ler tudo, parece muito óbvio. Existe interesse no produto, existe bons lançamentos e também players que podem reproduzí-los.

Está tudo arrumadinho. Só falta a cartada deles.

PhilSouza's picture

Tudo mundo conhece a história. Os tempos mudam, com a tecnologia as coisas andam mudando mais rápido ainda. Ou você muda sua abordagem percebendo as mudanças a sua volta ou você Salcifufu ou seucifufu sei lá...

Com Voip esta sendo assim lá fora. Vai ser assim com a música, assim como o vídeo na internet(vide as produtoras e tvs mandando tirar videos do youtube) e por ai vai... É uma época de transição. Mas me pergunto, se a tecnologia vai tão rápido, não será uma transição constante?

Os dinossauros que fiquem para trás...

http://www.mundovoip.org/

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