beemanA convite do Jornal Estado de São Paulo, Keith Beeman (Diretor Mundial de Propriedade Intelectual da Microsoft) conheceu o canal de distribuição alternativo da Microsoft nas ruas de São Paulo.

Ele foi apresentado a camelôs que vendem cópias piratas dos produtos da Microsoft.

Ao perguntar os preços, ficou surpreso ao saber que a cópia baseada no Beta custaria R$ 10,00 e a baseada no produto final (que só será lançado em Janeiro para consumidores finais), R$ 20,00.

O camelô, ofereceu, inclusive, o número de seu celular para dar suporte em caso de problemas.

Beeman, comentou que já existe alguma evolução, uma vez que, atualmente, os vendedores de produtos piratas, pelo menos escondem os produtos, sabendo que isso é uma prática ilícita, coisa que não acontecia há pouco tempo atrás.

Um dado interessante da reportagem é que, segundo a Interpol, a pirataria movimenta, anualmente para o crime organizado, U$ 516 bilhões, enquanto o tráfico de drogas, "apenas", U$ 322 bilhões.

Segundo constatou o próprio Beeman, a única saída para a pirataria é a educação, pois ele mesmo foi pego com a boca na botija, pelo filho de 9 anos ao copiar um CD que pegou emprestado de um amigo.

Pro mais que os desenvolvedores lutem para que não seja possível piratear seus produtos, sempre haverá alguém tentando e hora ou outra conseguindo, porém, se houver uma conscientização da população para os problemas causados pela pirataria, talvez seja possível acabar com este mal.

Via [Estadão]

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Primeiro, o conceito de "pirataria" está equivocado, porque o pirata tirava a mercadoria A e colocava a mercadoria no navio B, e o primeiro fica SEM a mercadoria.

Em software é impossível fazer pirataria.
Vc consegue fazer cópias não licenciadas/autorizadas,
mas,
mesmo que vc as faça o navio A (a MS!) continua com o produto!

Tem uma maneira bem simples da MS resolver o problema dos SW não licenciados: Liberá-los sob uma licença BSD ou GPL.
Pronto! Seus problemas se acabaram!

Smiling

Se a RedHat pode ser profitable com SW licenciado sob a GPL eles tb podem, se quiserem.

Ricardo Bicalho's picture

A liberdade corre para os dois lados. O modelo de negócios, de bilhões de dólares da Microsoft, é de software fechado, assim como Oracle, IBM, SAP e tantas outras. Não basta apenas uma empresa imitar o modelo da outra.

Que tal investir 2 anos de trabalho seu, em forma de horas trabalhadas e distribuir para o bem da humanidade? Sinceramente, eu adoraria fazer isso, de verdade, mas o Vírtua exige em cobrar mensalidade, a Light quer receber pela conta de luz e os supermercados cobram pela comida! Eu adoraria que os livros, cursos, viagens para conferências e congressos fossem gratuitos também.

Então, eu, como analista de sistemas e desenvolvedor, cobro pelas minhas horas trabalhadas para desenvolver o software. Super legal é ver o fruto de 6 meses de trabalho duro sendo vendido por camelôs, pelo bem da inclusão digital.

O conceito de software livre é liberdade para fazer o que você precisar com o software, modificá-lo sem depender do fornecedor. O que você está defendendo, é, na verdade, cerveja de graça.

"Então, eu, como analista de sistemas e desenvolvedor, cobro pelas minhas horas trabalhadas para desenvolver o software."

Muito justo.
Vc trabalhou X horas e ganho Y dolares pelas suas horas trabalhadas, pela sua IP, etc e tal.
É exatamente o que acontece no mundo FLOSS.
O sujeito recebe por hora trabalhada.
Ele não espera receber por cópia de CD -> trabalha uma vez e recebe pra sempre, pelas cópias mimeografadas...

"Super legal é ver o fruto de 6 meses de trabalho duro sendo vendido por camelôs, pelo bem da inclusão digital."

Se vc já trabalhou e já ganhou pelo trabalho, não perde nada.

"O que você está defendendo, é, na verdade, cerveja de graça."

Onde foi que eu escrevi isso?

Ricardo Bicalho's picture

"Se vc já trabalhou e já ganhou pelo trabalho, não perde nada."

Nope. Alguns contratos permitem participação nos lucros do produto ou projeto que você trabalhou. Não estou falando de uma pessoa, mas equipes inteiras, do programador júnior ao diretor, passando por contadores, advogados, analistas de sistemas, arquitetos e engenheiros de software, profissionais de infra. Ao ter o produto surrupiado, eles perdem também.

As cópias são vendidas para sustentar o desenvolvimento e melhoria dos novos produtos. Alguns clientes optam por comprar não o pacote fechado, mas o código-fonte também. Eles possuem um serviço diferenciado e podem ou pagar as horas para personalização do software ou usar uma equipe in-house para as alterações.

"Onde foi que eu escrevi isso?"

Exatamente no momento que você afirmou que não existe pirataria de software com a historinha do navio pirata.

Só não entendi uma coisa. Como mudar a licença para GPL resolveria o problema de uma hora para a outra? Se eu não me engano, passei hoje na frente de uns 15 camelôs vendendo o RedHat Enterprise e o Suse Enterprise por 10 Reais. É GPL e pirata, infelizmente.

corrigindo:
"tirava a mercadoria DO NAVIO A e colocava a mercadoria no navio B..."

RogerYoda's picture

Boa sacada do Estadão. Só faltou um vídeo pra ver melhor a reação do sujeito.

"Um dado interessante da reportagem é que, segundo a Interpol, a pirataria movimenta, anualmente para o crime organizado, U$ 516 bilhões, enquanto o tráfico de drogas, "apenas", U$ 322 bilhões."

Acho que só esse argumento seria o bastante para encararmos a situação com um pouco mais de seriedade.

PS.: Essa velha piadinha do navio já está bem batida heim?

RogerYoda | A essência da força está na liberdade

Piada é querer forçar a barra com um conceito deslocado.

É impossível "piratear" software.

A não ser, no sentido de tirar um carregamento de CDs de um navio e leva-lo para outro navio!

Smiling

Ricardo Bicalho's picture

Você está confundindo software com a mídia. Inclusive a lei 9.609 diferencia e define os dois. O seu conceito é que o software não é passível de propriedade intelectual, já que são cópias, clones e isso é barato e por isso não há pirataria.

Aí é que você erra redondamente. O software é tão propriedade quanto uma placa de vídeo, um processador ou um carro. O processador está "impresso" em camadas de silício. Muitos anos de pesquisa e engenharia foram necessários para que um seja construído. O custo do silício é ridículo, mas a forma como o silício foi organizado e talhado faz toda a diferença.

O software utiliza-se de mídias físicas para embarcar dentro de sí propriedade intelectual.

Concordo que o povo precisa se conscientizar sobre pirataria mas também as empresas precisam se concientizar do preço que cobram.
Uma licença do WinXP Pro custar mais de 500 pratas também é palhaçada pra uma empresa do tamanho da MS.

Niguém vai tirar 500 pratas do orçamento pra licenciar uma cópia do windows se a máquina já não veio com licença. Até 99 pratas estava mais do que bem pago. E iam ganhar bem mais porque muito mas gente ia licenciar.

Ricardo Bicalho's picture

Isso eu concordo. Mas o governo brasileiro poderia ajudar com reduçao de impostos também. O software custa 500 Reais, o governo leva entre 40-45%. Ou seja, o Windows é vendido ao consumidor, com os lucros da empresa e dos lojistas por 300 Reais. O resto é do "sócio".

Ainda é salgado, mas se você pensar em termos de anos: Windows XP comprado em 2001, usado por 6 anos, seria pouco mais de 80 Reais por ano. O Suse Enterprise cobra 50 dólares por ano pelo seu uso e é super justo, cabe praticamente em qualquer orçamento e garante um fluxo de caixa constante para a empresa.

Não sou de São Paulo, mas foi bem aí que eu comprei o windows pro meu primeiro pc Sticking out tongue

Mas agora comprei um pc da hp dai já vem com o windows original.

Li uma matéria sobre isso dizendo que tá diminuindo muito o número de pessoas que "montam" o seu computador. As pessoas estão preferindo comprar pcs da dell, hp, positivo, etc.

Robson França's picture

Olá Felipe, tudo bem?

Então, na verdade a quantidade de usuários de PC aumentou. Como a quantidade de "Hardware freaks" (fanáticos por hardware) não aumentou junto, é como se esse mercado tivesse diminuido. Na prática, diminuiu um pouco, mas não tanto como o povo imagina.

Abraços

Bruno Alves's picture

O conceito de pirata se refere ao valor do produto, não a mídia.

Quando é feita a pirataria, o valor que a empresa cobra (é dela, cobra o que quiser) e passa para o crime organizado que fechará as ruas de São Paulo, sequestrará Onibus no Rio etc...

Esse negócio de dizer que pirataria é bobeira é uma desculpa esfarrapada, se não pode, não compra.

Roubar é errado e é um crime.

Adoraria ter uma Ferrari, mas não posso, vou entrar na loja e levar um pra casa só na mão grande só porque está caro?

--
Bruno Alves
Professional root
BrPoint

Robson França's picture

Ola Bruno, tudo bem?

Desculpe-me por discordar de você, mas não considero roubo o ato de pirataria digital. É uma forma, no mínimo imoral, de se aproveitar do trabalho de outrém.
Mas esse discurso, no mínimo infantil, que a pirataria patrocina o crime organizado é o fim da picada. A politicagem, a corrupção (em toda parte), o tráfico de drogas, armas, produtos falsificados, contrabando e, aí sim, a pirataria contribuem para o crime organizado.
Os números passados na matéria do Bicalho são números, no mínimo, suspeitos. Não dá para medir, com precisão, quanto o tráfico de drogas ganha. Se soubéssemos disso, já teríamos prendido todos os traficantes. O mesmo vale para a pirataria de software.

Para fechar este comentário, uma historinha: imagine que, agora que o pão francês é cobrado por quilo, ele custasse 20 reais o quilo. EM QUALQUER LUGAR. Você compraria ou ficaria sem comprar o seu pão? E se o pão fosse a única coisa que você pudesse comprar? Quando se tem o monopólio de algum segmento do mercado (ou, pelo menos, uma postura mais agressiva no mercado) você faz o que quiser. E assim você controla o mercado, dizendo quem usa ou não o seu software.
E se o seu software for um S.O., você define quem usa ou não o seu computador. Simples, né? Claro... que não.

Temos que tomar todo cuidado do mundo. Essa comparação BESTA de pirataria de software e roubo são a mesma coisa é que estimula a pirataria. Pense nisso.

Abraços

Bruno Alves's picture

Tudo bem.

Não sou eu que digo que é crime, é a lei.

Esse mesmo raciocínio que abranda a pirataria é o que tolera políticos corruptos, que tolera invasões de grupos armados e tantas outras coisas que atormentam este país.

Minha comparação besta é a mais pura verdade, quem faz pirataria está roubando o lucro de quem criou, independente deste ser alto ou não.

Abraço

--
Bruno Alves
Professional root
BrPoint

Robson França's picture

1) Não estou abrandando a pirataria. Estou vendo-a com outros olhos, pois sou desenvolvedor. Acho a pirataria mais uma questão moral do que legal.

2) Políticos corruptos, invasões de grupos armados, entre outras coisas NÃO tem nada a ver com pirataria de software. Aliás, acredito que a pirataria é mais usada como lavagem de dinheiro dessas coisas do que como fonte para essas coisas.

3) Você só roubaria o lucro se impedisse a venda do original. Não é porque um monte de gente usa pirata que sou obrigado a usar também.

Deste thread paro meus comentários por aqui.
Abraços

Ricardo Bicalho's picture

"Os números passados na matéria do Bicalho são números, no mínimo, suspeitos."

Quem escreveu a matéria foi o Bruno. Mas se formos olhar o centro de qualquer cidade, é um mercado grande.

Robson França's picture

Foi mal, Bicalho. Não sei porque vi o seu nome em vez do do Bruno. E se formos olhar o centro de Ribeirão Pires (já ouviu falar), é um mercado relativamente grande sim. Tão grande que se diversificou.
Mas sei lá, é muito estranho (e cômodo) dizer que pirataria de software rende mais do que o tráfico de drogas. Podem ter colocado todo o tipo de pirataria aí (incluindo falsificação e pirataria de CD's e DVD's). E, por outro lado, não conseguem mensurar com exatidão ambos os "mercados". É isso.

Abraços

v1r3d's picture

É uma questão muito complicado, porque o software é uma coisa que não existe no mundo real, você não pode pegar, não pode sentir, nem cheirar...
Por exemplo, um arquivo, você pega e BUM copia, pronto, o gasto foi minimo, mas tente reproduzir um carro, um moto ou etc... vc não pode simplesmente duplicar.

O custo para fazer um software é altissimo, mas para reproduzi-lo é infimo (reprodução bruta). Eu comprei dois jogos originais (Lineage 2 e GuildWars) e usar software original é muito diferente (suporte e qualidade do jogo em geral). Estive pesquisando e hoje os jogos não estão tão caros assim (R$99,00 a maioria) então dá para comprar se economizar Eye-wink
Só acho a licensa do Windows muito cara, mas fazer o que cada um cobra o quanto quer, M$ não é filantropica.

cardoso (não verificado(a))

Será que está caro mesmo? Uma licença full do XP Home custa menos que quatro jogos.

Sigil's picture

Bem, pra um brasileiro q ganha salario minimo, isso é uma facada...SE pelo menos o salario aqui fosse digno isso diminuiria MUITO.

Bruno Alves's picture

Custo não tem qualquer relação com o problema da pirataria, é uma questão cultural.

As pessoas compram cópias piratas de coisas absurdamente baratas.

--
Bruno Alves
Professional root
BrPoint

cardoso (não verificado(a))

Pirateiam até o Linux, que não vale nada...

(golpe baixo, eu sei, mas a bola foi tão bem levantada...)

cardoso (não verificado(a))

E quem ganha salário mínimo tem computador?

Vamos parar com essas comparações, é besteira ficar comparando com salário mínimo, são realidades diferentes. Quem ganha R$2000 não pode ter uma Ferrari, o que você sugere, aumentar o salário até todo mundo poder comprar uma Ferrari?

Ricardo Bicalho's picture

Sigil, você acredita que eu já vi gente comprando cópia pirata de jogos que estavam sendo vendidos por 13,90 em revista?

A mesma pessoa paga R$ 3,70 num suco de manga, R$ 200,00 numa calça jeans e R$ 350,00 num tênis.

Quem ganha um salário mínimo não tem nem mesmo um computador, certo? Mas e quem pode comprar um computador Dell com Windows XP Home, formata o hd e coloca o Windows XP Professional pirata?

Sigil's picture

Trocar o Home original pelo Professional pirata já é falta de vergonha na cara. E entendo oq vc diz com relação a quem compra uma calça jeans de 200 pau, principalmente pq existem opções boas vendidas mais baratas.
Bem, eu acho q esse tipo de discussão nunca vai entrar em acordo, pq tem muita opinião contraditoria. Pirataria É errado e ponto, não da pra discutir isso, mas q aqui se ganha mal pacas tb não da pra discutir. Não justifica, claro, existe muito software livre tão bom qt ou até melhor dq proprietarios. Acredito q o problema seja cultural msm e modista tb, pq por mais q resmunguem usar windows É moda pq é aparentemente mais facil.

Ricardo Bicalho's picture

Exato! Quando uma pessoa sem condições financeiras compra lá o CD do Reginaldo Rossi piratinha a R$ 5,00 quando o original é vendido a R$ 10,00 eu até compreendo.

Se é um pai que suou para comprar um PlayStation para o filho, ele jamais vai poder comprar jogos originais que custam R$ 150,00. Aí a pirataria age como punição contra preços abusivos.

O que é uma afronta é a pirataria empresarial, ou de gente que pode pagar pelo software, mas não o faz, porque é coisa de otário. Imagine uma firma de advogados que recolhe 300-500 mil Reais em impostos em apenas 4 meses, usando dezenas de programas piratas.

Robson França's picture

É exatamente esse o ponto. Quando os caras falam desses números absurdos da pirataria, estão colocando aí grandes empresas, os tais grandes usuários.
Questão semelhante (e polêmica) é de profissionais de TI do universo de S.L. que, numa "heresia", cobram pelos seus softwares, como se desenvolver programas somente "di gratis" fosse uma obrigação para todos que trabalham com "Open Source" ou "Free Software". É por esse motivo que estou esperando mais um pouco para ver ser os "zealots" do mundo Linux (e Unix de um modo geral) se conscientizam da necessidade de pagar, mesmo que seja só 400 reais por um bom software livre.

Abraços

v1r3d's picture

é complicado porque se você ganhasse um salário minimo não iria ter essa visão Sticking out tongue. quando a gente tem dinheiro é uma coisa, quando a gente não tem o mundo é completamente diferente.

Musashi_DJ's picture

Se o programa é usado para testes e melhoria contribuindo para o desenvolvimento sem remuneração(coisa que os vendedores de soft pirata nunca fazem), até tem um desconto moral jáque o usuário contribui ativamente para a melhoria do soft, mas se é para uso profissional ou caseiro e o criador não doa o trabalho dele então é pirataria, se não quiser pagar use SL.

Aqui estou migrando para linux gradualmente, assim gasto menos e ainda posso dar pitaco nas mazelas dos programas, SL tem isso de bom, pode não ser líder de mercado mas o fabricante te ouve quando a reclamação é justa.

| Papai, o que é formatando disco rígido?

Musashi_DJ

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